


Nessa escola existem várias classes sociais, mas os alunos se relacionam m
uito bem. Eles se concentram muito no que estam fazendo, percebe-se que gostam disso, eles pensam no que estam fazendo. Esta turma que visitamos escolheram onde trabalhariam.A sucata é algo novo qu e lhes foi proporc ionado pelo professor, que surpreendeu-se com a exploração desses
materiais por parte dos alunos que foi muito positiva. Cada aluno fica livre para escolher com que material trabalhar. O ambiente, a sala de aula é repleto de trabalhos feitos pelos alunos, é bem colorido. O CDE é um lugar onde a arte faz parte da vida das crianças, adolescentes e adultos e eles dão muito valor a isso. Isso me deixou muito motivada e com vontade de ensinar arte para crianças e logo! Foi uma experiência inesquecível e muito construtiva.

Na visita a uma turma de seis alunos, de oito a onze anos, no CDE a primeira característica que notei na aula é a liberdade que os alunos têm para desenvolver sua expressão. As crianças chegam na aula e todos os materiais estão a sua disposição, ao alcance de suas mãos. Eles trabalham
com tintas, argila, canetas, canetinhas, lápis, lápis de cera, pastel, madeira, teatro, música, fotos, filmes, dobradura, livros, frotage, colagem, entre outros. Todos os trabalhos têm um objetivo psicomotor e são expostos nas paredes do CDE.
Não há um planejamento rígido das aulas, nem notas de avaliação. A criança não está lá para atingir um objetivo estipulado pelo professor, e sim o seu próprio objetivo. O educador não está lá para dizer ao aluno o que fazer, ele faz atividade que tiver vontade, o que dá espaço a um desenvolvimento mais particular. As aulas não são focadas no professor e sim nos alunos, o papel dele é passivo, ele está ali para guiar as criança
s em seus questionamentos.
Durante a aula, a professora que observei conversava individualmente com as crianças e sentava no meio delas, tirando dúvidas e solucionando problemas trazidos por eles. Havia um grupo que primeiram
ente trabalhou com argila enquanto outros colegas desenhavam e recortavam, depois alguns deles pararam de usar argila, limparam seu espaço e passaram a tocar violão e cantar músicas compostas por eles mesmos, e por último, estes alunos foram para o palco ensaiar uma peça de teatro que eles decidiram organizar. Em todos os momentos da aula a professora estimulou o desenvolvimento dos trabalhos, em nenhum momento ela “travou” a imaginação das crianças, nem levantou o tom de voz. Eles também, apesar da liberdade de ir e vir, não gritaram ou correram. A possibilidade de fazer a atividade que quisessem fez com que o tempo destinado a cada atividade fosse produtivo e significativo para cada um.
(Clarissa da Silva Machado)
